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çúcar do leite materno protege bebês contra infecções, dizem cientistas

fonte: G1
21/08/2017

Há muito tempo, a ciência já sabe sobre o papel benéfico do leite materno na imunidade do bebê. Na amamentação, por exemplo, sabe-se que há transferência de anticorpos e de importantes proteínas de ação antibacteriana.

Mas agora, cientistas da Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos, perceberam que também os açúcares presentes no leite humano aumentam a proteção passada de mãe para filho.

Segundo pesquisadores, trata-se do primeiro mapeamento sobre a atividade antibacteriana de carboidratos presentes no leite humano. O estudo é particularmente importante porque esses açúcares, ao contrário da maioria dos antibióticos, não são tóxicos.

Os resultados da pesquisa foram apresentados no domingo (20) em reunião anual da "American Chemical Society". O estudo foi coordenado por Steven Townsend, professor-assistente da Universidade de Vanderbilt.

Cientistas estavam procurando diferentes métodos para combater bactérias causadoras de doenças. Toda a ciência, na verdade, está em busca de novas estratégias porque há um problema crescente de saúde pública com o fenômeno da resistência bacteriana a medicamentos.

Pesquisadores, então, decidiram se concentrar sobre os açúcares - que até agora, por serem muito mais difíceis de estudar, foram alvos de poucos estudos.

Como foi o estudo

Primeiro, cientistas coletaram carboidratos de leite humano, também chamados de oligossacarídeos, de várias amostras de doadoras diferentes.

Depois, com uma técnica de espectrometria de massa -- que ajuda a identificar moléculas por meio da análise de sua estrutura química - foram identificadas milhares de biomoléculas.

Em seguida, eles adicionaram essas moléculas em cultura de bactérias e observaram o resultado com um microscópio. Eles descobriram que os açúcares de uma amostra quase mataram uma colônia de estreptococo - bactéria comum que costuma ser a causa de diversas infecções em recém-nascidos. Nas demais amostras, houve pelo menos alguma efetividade.

Agora, com demais estudos, a ideia é identificar o que faz com que alguns açúcares sejam mais efetivos que outros e, com isso, desenvolver medicamentos a partir desse benefício do leite materno humano.


Antibióticos podem diminuir capacidade do corpo de lutar contra uma doença

fonte: G1
18/08/2017

Pesquisadores da Universidade da Virgínia, nos EUA, mostraram que antibióticos podem interferir na capacidade do organismo de combater uma doença.

Isso porque, ao afetarem bactérias comuns que habitam o intestino, esses medicamentos acabam também por enfraquecer o sistema imune. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira (17) na revista científica "PLos Pathogens".

Cientistas estavam buscando entender o papel da microbiota intestinal na colite amebiana, infecção parasitária comum em países em desenvolvimento.

Para isso, analisaram amostras de fezes de crianças nas favelas urbanas de Dhaka, Bangladesh, e mostraram que aquelas com infecções mais severas tinham menos diversidade em bactérias que habitam o intestino.

O estudo aponta que o uso de antibióticos é muito comum em países de baixa renda, com crianças sendo alvo de muitos tratamentos nos primeiros anos de vida.

Por fim, para testar mais diretamente a relação de antibióticos com o sistema imune, pesquisadores deram medicamentos para camundongos e perceberam que a alteração da microbiota do intestino provocada pelos medicamentos diminuía a atividade dos neutrófilos, importantes células de defesa do organismo.


Bactérias afetam capacidade do Aedes de transmitir doenças, diz estudo

fonte: G1
17/08/2017

Há algum tempo, estudos estão demonstrando que não é somente a simples existência do Aedes aegypti que permite com que ele transmita doenças -- mas também uma série de alterações em seu organismo; entre elas, sua flora intestinal.

Em estudo publicado nesta quarta-feira (16) na "Science Advances", Laura B. Dickson, do Instituto Pasteur da França, e colegas mostraram que bactérias presentes no meio ambiente podem alterar a maneira com que a larva do mosquito se desenvolve e, com isso, também sua capacidade de transmitir doenças quando o mosquito atinge a fase adulta.

Foi uma abordagem similar, por exemplo, que levou a estudos com a Wolbachia -- bactéria ainda em estudo que tem tido resultados promissores em conter a disseminação de arboviroses como zika, dengue e chikungunya.

"Nosso diferencial foi ter considerado a microbiota quando o Aedes aegypti está em estágio de larva", diz ao G1 Louis Lambrechts, pesquisador do Instituto Pasteur da França e um dos autores do estudo.

O achado é importante porque aponta também não só para a necessidade de se prestar atenção nas condições em que o mosquito se prolifera -- como a água limpa parada -- mas também para as situações que permitem com que o organismo do Aedes "se adapte" e transmita doenças.

"Claro que o controle do mosquito continua a ser importante", diz Lambrechts. "Mas o que o nosso estudo mostra é que talvez também precisamos prestar mais atenção aos locais de reprodução em que os mosquitos se desenvolvem."

Como foi o estudo

Para chegar a esse direcionamento, cientistas fizeram uma série de testes. Em um deles, eles compararam a microbiota intestinal de mosquitos cultivados em laboratório com a flora do intestino de Aedes coletados no Gabão, na África. Os resultados apontaram para diferenças na flora entre as duas amostras, bem como para diferenças entre mosquitos da mesma amostra.

Numa outra etapa, cientistas colocaram as larvas em contato com diferentes colônias de bactérias e perceberam que, a depender da bactéria, o Aedes passava por uma série de alterações - como, por exemplo, o tamanho do corpo do mosquito era alterado.

O pesquisador explicou à reportagem que a capacidade de transmissão do mosquito dependente de inúmeros fatores do mosquito adulto, como o tempo de vida, o tempo de incubação do vírus, sua densidade e a taxa de mordida.

Uma possível 'nova Wolbachia"?

Depois de testar o papel da microbiota na capacidade de transmissão do Aedes, pesquisadores também expuseram a larva do mosquito a bactérias da família de "enterobactérias".

Essas bactérias existem em abundância no meio ambiente -- uma delas, por exemplo, é a conhecida E.coli, que habita o intestino humano.

Após a exposição, eles perceberam que, dentre os mosquitos expostos, diminui-se a capacidade de transmissão do vírus da dengue.

Na entrevista, o pesquisador diz que não foi possível identificar qual mecanismo possibilitou esse benefício, mas que as razões serão investigadas.

Ele aponta que as enterobactérias, no entanto, não surtiram o mesmo efeito de bloqueio de transmissão do vírus da dengue que a Wolbachia.

"A principal diferença, no entanto, é que as enterobactérias que descobrimos são naturalmente encontradas em ambiente de reprodução do mosquito."


Pesquisadores descobrem substância capaz de impedir reprodução do vírus da zika

fonte: G1
16/08/2017

Através de testes em laboratório, pesquisadores da Fiocruz Pernambuco descobriram uma substância capaz de bloquear a reprodução do vírus da zika. Divulgada nesta terça-feira (15) pela entidade, a descoberta foi publicada na revista científica International Journal of Antimicrobial Agents na sexta-feira (11).

De acordo com o pesquisador Lindomar Pena, que coordenou o estudo, a substância sintética 6-metilmercaptopurina ribosídica (6MMPr) foi testada em células neurais e da pele. Nos dois casos, houve o bloqueio de 99,6% da reprodução do material genético viral.

“Principalmente as células nervosas afetadas pelo vírus tiveram uma boa resposta à substância. Isso é muito bom, porque são essas células que levam às consequências mais graves da infecção [por zika], tanto em crianças quanto em adultos”, detalha Pena ao G1.

Ainda segundo o pesquisador, foram experimentados diferentes tempos e dosagens da substância nas células. “Fizemos os testes de forma muito rigorosa, antes e depois de infectarmos as células, e houve resultados positivos nos dois casos”, explica, sinalizando que a substância pode ser usada na prevenção e no tratamento das doenças causadas pelo vírus.

Feita ao longo de um ano por pesquisadores em Pernambuco, a pesquisa chegou à substância 6MMPr após testes feitos para combater um vírus que ataca cães. “Devido à similaridade dos vírus, resolvemos testar para zika”, comenta Pena. De acordo com o pesquisador, o próximo passo é aplicar a substância em camundongos para observar o comportamento do vírus em seres vivos.

A expectativa, segundo o coordenador do estudo, é de iniciar os testes nos animais até o fim do ano. “Na forma nativa, essa substância tem uma eficácia muito boa, mas nós pretendemos fazer novos estudos para melhorar quimicamente o potencial dela”, ressalta.

Zika transmitida por pernilongo

Na quarta-feira (9), um artigo publicado na revista científica Emerging Microbes & Infections, do grupo Nature, revelou que o pernilongo comum, popularmente conhecido como muriçoca, pode atuar como um transmissor do vírus da zika, além do mosquito Aedes aegypti. A constatação foi feita por pesquisadores da Fiocruz Pernambuco, que realizaram pesquisas e coletas de insetos em áreas de circulação de pessoas que contraíram a doença.

Após a descoberta, os pesquisadores planejam ampliar a pesquisa, coletando os pernilongos também em áreas de morro, de planície e verticalizadas da capital pernambucana. Com o aprofundamento dos estudos, os profissionais buscam compreender se a transmissão pode ocorrer em outras áreas da cidade e se os insetos atuam como vetores primários ou secundários do vírus.


Estudo brasileiro mostra efeitos neurológicos do zika em adultos

fonte: G1
15/08/2017

Especialistas da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, demonstraram que o zika esteve associado com complicações neurológicas graves em adultos internados no Hospital Universitário Antônio Pedro entre dezembro de 2015 e maio de 2016.

Os dados do estudos foram publicados nesta segunda-feira (14) na revista científica "Jama Neurology". A pesquisa foi desenvolvida pelos pesquisadores Ivan Rocha da Silva, Jennifer Frontera, Ana Maria Filippis e Osvaldo do Nacimento.

Trata-se do primeiro estudo a acompanhar os efeitos neurológicos do zika em adultos ao longo do tempo, segundo os pesquisadores. Ao todo, 40 pacientes com doenças neurológicas graves foram recrutados: 29 com síndrome de Guillain-Barré, 7 com encefalite, 3 com mielite transversa e 1 com polineuropatia crônica.

A síndrome de Guillain-Barré afeta os nervos periféricos fora do cérebro e espinha dorsal e pode provocar fraqueza muscular e paralisia - geralmente temporária - dos membros. Os sintomas podem atingir os músculos da face e da respiração, o que faz com que o paciente precise ser tratado em unidades de terapia intensiva (UTI).

A encefalomielite é uma síndrome autoimune contra o sistema nervoso central, que provoca inchaço acentuado do cérebro e da espinha dorsal e dano à mielina, a proteção esbranquiçada que envolve as fibras nervosas. Os sintomas são fraqueza, dormência e perda do equilíbrio e da visão, similares aos da esclerose múltipla.

A mielite transversa ataca a medula, provocando a perda dos movimentos do corpo, enquanto a polineuropatia crônica ataca os nervos periféricos e pode fazer com que a pessoa perca a sensibilidade, além de sentir dor e fraqueza.

Aumento das complicações

Dos 40 recrutados, 35 (88%) apresentaram anticorpos para o zika. Pesquisadores também registraram aumento de casos dessas complicações neurológicas após a circulação do vírus em território brasileiro.

As internações por Guillain-Barré, por exemplo, aumentaram de 1 por mês entre dezembro de 2013 a maio de 2014 para 5.6 ao mês entre dezembro de 2015 e maio de 2016.

O "Jama Neurology" também dedicou o seu editorial ao tema e destacou a pesquisa brasileira.

No entanto, o 'Jama' pontuou ser o estudo apenas o primeiro passo para entender o tamanho do problema. "É de extrema importância entender o alcance do zika e sua frequência em complicações neurológicas induzidas por vírus", escreveram.

Mais pesquisas são necessárias

Como foi feita somente em único hospital no Rio de Janeiro, a pesquisa não pode determinar a frequência com a qual o zika leva a problemas neurológicos em adultos.

O editorial do 'Jama' citou ainda as dificuldades de se confirmar uma infecção por zika em regiões com circulação de outras arboviroses -- como dengue e chikungunya.

Isso porque ainda há dúvidas se os anticorpos desenvolvidos pelo organismo são, de fato, específicos para o vírus zika.


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