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22/12/2008
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1. "Science" elege reprogramação celular o fato científico do ano A reprogramação de células procedentes de pessoas doentes foi o acontecimento científico de 2008, segundo revelou a revista "Science". Esse avanço, que poderia ajudar na compreensão e cura de doenças como o mal de Parkinson e o diabetes tipo 1, foi seguido muito de perto pelo descobrimento de planetas além do sistema solar (exoplanetas). Quando nós, editores e escritores, nos propomos "a tarefa de escolher os maiores avanços, buscamos pesquisas que respondessem às dúvidas mais importantes sobre como funciona o universo e que abriram a porta para futuros descobrimentos", explicou Robert Coontz, subchefe de redação da "Science". Após anunciar que a escolha tinha sido a da reprogramação celular, Coontz explicou que esta "abriu um novo campo da biologia quase de um dia para o outro e oferece a esperança de avanços médicos que salvem vidas".
2. Carência de vitamina D é prejudicial ao coração A deficiência de vitamina D (que atua na concentração de cálcio) está tradicionalmente associada a problemas em ossos, dentes ou músculos. Mas um novo estudo indica que sua carência também pode ser prejudicial ao coração. Segundo pesquisa publicada na edição de 9 de dezembro do Journal of the American College of Cardiology, a falta de vitamina D pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, que alteram o funcionamento do sistema circulatório. O estudo associou baixos níveis na vitamina a fatores de risco como hipertensão, obesidade e diabetes. Como resultado, os autores recomendam que portadores de fatortes de risco tenham seus níveis de vitamina D examinados e tratados, quando necessário. “A deficiência de vitamina D representa um fator de risco cardiovascular emergente e ainda desconhecido, que deve ser diagnosticado e tratado. A suplementação é algo simples, seguro e de baixo custo”, disse James O'Keefe, diretor de cardiologia preventiva do Instituto do Coração do Centro dos Estados Unidos, um dos autores do estudo. O estudo confirma dados divulgados recentemente pelo Framingham Heart Study, projeto do Instituto Nacional para Coração, Pulmão e Sangue em conjunto com a Universidade de Boston, que indicaram que pacientes com níveis de vitamina D abaixo de 15 ng/ml apresentavam risco duas vezes maior de infarto, derrame ou outro evento cardiovascular nos cinco anos seguintes quando comparados com indivíduos com níveis mais elevados. Segundo os autores da nova pesquisa, a deficiência de vitamina D é mais prevalente do que se imaginava. Alterações recentes nos estilos de vida, como o trabalho em ambientes fechados, e o uso de filtro solar, que elimina até 99% da síntese de vitamina D pela pele, têm levado à queda em seus níveis. Ou seja, excesso de exposição ao sol faz mal, mas evitá-lo por completo está longe de ser uma boa medida. Os autores recomendam dez minutos de sol por dia para pessoas de pele branca – ou mais para quem tem pele mais escura – ou a ingestão de suplementos. Fontes naturais de vitamina D são salmão, sardinhas, óleo de fígado de bacalhau e alimentos fortificados como leite e alguns tipos de cereais.
3. Brasil cria 1º soro para veneno de abelhas Pesquisadores brasileiros desenvolveram o primeiro soro contra veneno de abelhas. O produto, que está em fase de testes, é voltado para os casos de reação tóxica -quando o ataque dos insetos resulta em centenas de ferroadas. A cada cem ferroadas, 1 mg de veneno passa a circular no sangue. Embora a substância não seja letal na maioria dos casos, ela deixa seqüelas no coração, nos rins e no fígado, além do sofrimento que causa nos primeiros dias. "O paciente fica até cinco dias na UTI, sofrendo. Meses após o ataque, apresenta nefrite [inflamação do rim], lesões no coração, sintomas parecidos com hepatite. Era preciso um soro para proteger essas pessoas", diz o bioquímico Mario Sergio Palma, pesquisador da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e orientador do estudo, que também envolveu especialistas do Instituto Butantã e da USP. Segundo Palma, estima-se que, ao longo de 2008, serão registrados de 10,5 mil a 12 mil acidentes com abelhas e vespas no Estado de São Paulo. Os dados, segundo ele, ainda são abaixo da realidade, devido à subnotificação. Há uma média de quatro a cinco casos de alta gravidade por mês no Estado. O problema não se restringe à área rural, ressalta o bioquímico. "Formigas, vespas e abelhas estão se urbanizando muito depressa, já que o homem tem invadido seus espaços." Até agora, as tentativas para criar um soro assim falharam, diz Palma, porque os testes buscavam avaliar os mesmos parâmetros usados para venenos de serpentes, escorpiões e aranhas. Assim, media-se sua ação contra sintomas como hemorragias e danos neurológicos -só que o veneno de abelha não causa esses problemas. O primeiro passo foi determinar a composição do veneno de abelha. Até cinco anos atrás, só eram conhecidas cinco proteínas da substância. Nos primeiros três anos do estudo, foram identificadas mais de 200 proteínas. Isso permitiu a realização de ensaios específicos para monitorar os danos associados a essas toxinas. Nos dois anos seguintes, o soro foi testado em animais. O veneno de abelha era injetado em cavalos, dos quais eram extraídos os anticorpos. Esse soro era avaliado in vitro para verificar sua ação sobre as toxinas. O próximo passo é a aplicação do soro em pacientes, que deve ocorrer no Hospital Vital Brasil, em São Paulo, especializado no atendimento a vítimas de animais peçonhentos, ou no Hospital das Clínicas da USP. "A previsão é que o soro esteja disponível já em 2009", afirma Fábio Morato Castro, supervisor do serviço de imunologia clínica e alergologia do HC, que ajudou a criar o produto.
4. Comer à noite não engorda mais Comer à noite não engorda mais do que comer a qualquer outra hora do dia, segundo um artigo publicado na revista científica "British Medical Journal" em que dois pesquisadores derrubam alguns dos mitos associados a esta época do ano. Os autores Rachel C. Vreeman e Aaron E. Carroll analisaram várias pesquisas por trás desses mitos, para provar que, na verdade, muitos não têm fundamento científico. Para contestar o mito de que comer à noite engorda mais, eles citam o resultado de uma pesquisa realizada na Suécia com 177 mulheres. Ela constata que as mulheres obesas comem mais à noite do que as não obesas, e que isso ocorre simplesmente porque elas faziam mais refeições. Outro mito derrubado foi o de que há uma cura para ressaca. Bananas, aspirina, e até uma cerveja são recomendados para combater os efeitos do excesso de álcool no temido "dia seguinte". Mas, depois de consultar várias pesquisas dedicadas ao assunto, Vreeman e Carroll concluíram que a única forma de evitar a ressaca é bebendo com moderação.
5. Síndrome Pós-Poliomielite entra no catálogo internacional de doenças O Brasil conseguiu incluir no Catálogo Internacional de Doenças a Síndrome Pós-Poliomielite (SPP). Caracterizada por uma nova perda de funções musculares que atinge pessoas que tiveram poliomielite e que chegam aos 40 anos, a SPP muitas vezes assume caráter incapacitante. Assim, a doença não poderá ser mais ignorada por peritos do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) ao analisar pedidos de aposentadoria precoce. A iniciativa, que começou na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), deve beneficiar cerca de 10 mil pessoas só na cidade de São Paulo e outras dezenas de milhares no País, todas com seqüelas de poliomielite e 60% já acometidas pela SPP, segundo os cálculos da própria instituição. Antes de ser reconhecida como doença, o entendimento sobre a SPP era de que os danos causados pela poliomielite não evoluíam e, se o cidadão conseguiu trabalhar até aquele momento, estaria apto a esperar a aposentadoria por tempo de serviço, como outro trabalhador qualquer. Além da fraqueza nos membros superiores e inferiores, o quadro da SPP inclui dificuldades de deglutição, hipersensibilidade ao frio, distúrbios do sono, fadiga e graves problemas respiratórios. O neurologista Acary Souza Bulle Oliveira, chefe do setor de Investigação em Doenças Neuromusculares da Unifesp, explica que a síndrome acontece, basicamente, pela super-utilização de neurônios originalmente não afetados pela poliomielite, mas que são sobrecarregados ao longo dos anos, o que justifica o fato de os sintomas da SPP se manifestarem somente a partir da meia-idade.
6. 32% das brasileiras que moram nas cidades jamais fizeram o exame de mama A 3ª edição do "Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça", relatório divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) na semana passada, revela que pelo menos um terço das 57 milhões de brasileiras com 25 anos ou mais de idade jamais realizou o exame de mama. Isso equivale a um contingente de 19 milhões de mulheres (praticamente toda a população da Grande São Paulo, a região metropolitana mais populosa do Brasil) que nunca pisou em um consultório médico para prevenção do câncer de mama, um dos cânceres que mais matam no país. Segundo a pesquisa, lançada pelo Ipea, a SPM (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres) e a Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), 32% da população feminina adulta das cidades nunca fizeram o exame. Entre as mulheres do campo, o quadro só faz piorar, lá o percentual de mulheres que jamais tiveram acesso a um exame de mama praticamente duplica, chegando a 63%. O "Retrato das desigualdades de gênero e raça" analisa microdados coletados pelo IBGE nos últimos 14 anos (Pnads de 1993 a 2007).
7. Estudo sugere que leite de cabra pode reduzir risco de colesterol alto Estudos realizados pela Embrapa Caprinos e Ovinos, localizada em Sobral, no Ceará, constataram que o aumento do teor de ácido linoléico conjugado (CLA) do leite de cabra pode reduzir riscos de doenças como o colesterol alto e a glicose no sangue, segundo informações da Agência Brasil. O CLA é um nutriente encontrado na alimentação, que está presente principalmente em carnes, aves, ovos, leite e derivados, como queijo e iogurte. A pesquisa foi iniciada na Estação Experimental com a alteração da alimentação das cabras. O animal passou a ter como dieta uma ração composta de óleo de soja e forragem verde. Após a mudança da dieta, o leite das cabras foi analisado. Desde 2004, os pesquisadores da Embrapa Caprinos e Ovinos desenvolvem alternativas de alimentação da cabra. A próxima etapa será a produção de 500 litros desse leite, que deverá ser incorporado nas rações experimentais para ratos que apresentem problemas como hipertensão e colesterol alto. Dependendo do resultado obtido, os pesquisadores partirão para efetuar testes em humanos. Cerca de 30 pesquisadores, liderados pela Embrapa, participam do projeto, envolvendo as Universidades Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Federal de Pernambuco (UFPE), Federal da Paraíba (UFPB) e Universidade de São Paulo (USP). O projeto conta com apoio integral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
8. Quedas são maior causa de traumas de coluna no Brasil Uma pesquisa feita na Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) mostra que os traumas de coluna, que freqüentemente geram seqüelas irreversíveis e podem levar à morte, são causadas principalmente por quedas - a maioria delas, de idosos. A professora de enfermagem Vanessa Tuono Jardim, do Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica) de Santa Catarina, pesquisou dados sobre internações hospitalares no SUS (Sistema Único de Saúde) de 2000 a 2005. Em 40% dos casos, o trauma havia sido causado por quedas. Em segundo lugar vêm os acidentes de trânsito, que representam 23% das internações, seguidos de outros acidentes (20%) e das tentativas de homicídio, com 6%. "Ficamos surpresos pelo fato de a maioria das quedas que geram traumas ser da própria altura [quando a pessoa não cai de uma altura maior] e afetar pessoas na faixa dos 70 anos", ressalta Jardim. Enquanto a taxa de internação por quedas foi de 14,8 para cada 100 mil habitantes nas mulheres com idade de 70 a 79 anos, o número foi de 2,1 em mulheres com idade entre 20 e 29 anos. No caso dos homens, esse índice foi de 13,9 nos mais velhos e de 7,1 nos mais jovens. A diferença entre homens e mulheres aumenta após os 80 anos --elas são mais vulneráveis à osteoporose. "Piso muito liso, fios atravessados, pequenas coisas geram quedas. É preciso tornar a casa segura para os idosos", diz Fernando Façanha Filho, presidente da Sociedade Brasileira de Coluna. Acidentes com trabalhadores da construção civil também estão entre os grandes motivos de queda, e respondem por 10% dos acidentes que afetam a região cervical - os mais graves. Apesar de as quedas afetarem mais pessoas idosas, a conclusão da pesquisa é que, em geral, o trauma atinge mais homens de idade entre 20 e 29 anos. "São jovens no auge da sua produtividade, que costumam ficar com seqüelas muito graves", diz Jardim. Do total de internados por trauma em 2005, 3,9% morreram.
9. Aplicar metade da dose da vacina da gripe é eficaz em adultos Estudo publicado neste mês na revista "Archives of Internal Medicine" sugere que aplicar metade da dose habitualmente usada da vacina contra influenza (gripe) pode ser eficaz na imunização de adultos saudáveis entre 18 e 49 anos. A vacina da gripe está no Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde há nove anos, apenas para idosos. A pesquisa avaliou 1.100 adultos. Um grupo recebeu metade da dose e outro recebeu a dose inteira. Os resultados mostraram que a resposta à metade da dose foi igual àquela observada em adultos que receberam a dose inteira da vacina. De acordo com o virologista Cláudio Sérgio Pannuti, diretor do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), existem vários estudos em andamento que buscam definir qual seria a dose ideal da vacina contra a gripe, caso aconteça uma pandemia mundial da doença. "O risco de uma pandemia existe porque o vírus muda constantemente. Mas, qualquer mudança da dose precisa ser muito bem embasada", disse Pannuti, acrescentando que a dose aplicada é estipulada pela Organização Mundial da Saúde. Segundo o virologista, a vacinação em calendário nacional é direcionada apenas para os idosos por uma questão de custo-benefício. "Os idosos têm mais complicações quando pegam gripes." João Toniolo Neto, geriatra da Universidade Federal de São Paulo, afirma que várias pesquisas estão sendo feitas, inclusive no Brasil, para tentar otimizar as vacinas. "A idéia é usar uma dose menor, com substâncias que otimizam a ação. Assim, pode-se vacinar mais pessoas."
10. Obesidade infantil define-se antes dos cinco anos A obesidade infantil pode estar determinada antes dos cinco anos de idade, de acordo com um estudo britânico publicado na revista "Pediatrics", que acompanhou 233 crianças do nascimento à puberdade no Reino Unido. Em comparação com as crianças nos anos 80, as de hoje são mais gordas e a maior parte do excesso de peso é adquirida antes de elas completarem cinco anos de idade, de acordo com os cientistas. Os autores do estudo acreditam que a dieta das crianças seria uma principias causas e sugerem que a prevenção à obesidade comece antes de as crianças entrarem na escola. Uma em cada quatro crianças de até cinco anos é obesa na Inglaterra, segundos os últimos dados. Segundo o estudo, o peso das crianças ao nascer permanece semelhante aos níveis de 25 anos atrás, mas elas se tornam mais gordas até a puberdade, em comparação com as crianças da mesma idade nos anos 80. O peso aos cinco anos de idade, segundo os autores, é um bom indicativo para se prever o peso das crianças aos nove anos de idade. Antes de uma menina obesa entrar para a escola, ela já terá adquirido cerca de 90% de seu excesso de peso. Para os meninos, este número é de 70%. O chefe da pesquisa, Professor Terry Wilkin, da Peninsula Medical School, em Plymouth, disse que "quando elas chegam aos cinco anos, sua dieta parece já estar estabelecida, pelo menos até chegarem à puberdade". "O que está causando isso é muito difícil saber." Segundo Wilkin, há um fator hoje que não existia há 25 anos e está tornando as crianças obesas. E, dado à jovem idade, isso provavelmente ocorre nas casas das crianças, e não no ambiente escolar, e está mais ligada à criação do que à escolaridade. Mais do que a falta de exercícios, ele acredita que a dieta pode ser responsável pelo excesso de peso.
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