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Revista Hebron
Bom dia doutor
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30/8/2010



1. Vitamina D influencia mais de 200 genes
Um novo estudo acaba de ampliar – de maneira contundente – as evidências de que a deficiência de vitamina D poderia aumentar os riscos de desenvolvimento de muitas doenças. A pesquisa, cujos resultados foram publicados na revista Genome Research, relacionou pontos nos quais a vitamina D interage com o DNA e identificou mais de 200 genes que são influenciados diretamente pela vitamina. De acordo com o estudo, estima-se que 1 bilhão de pessoas no mundo tenham carência de vitamina D, devido a fatores como insuficiência de exposição ao sol ou uma dieta pobre em nutrientes. Além de ser conhecida como fator de risco para o desenvolvimento de raquitismo, há evidências de que a falta de vitamina D também estaria relacionada ao aumento da suscetibilidade a condições como esclerose múltipla, artrite reumatoide e diabetes, bem como demência e alguns tipos de câncer. No novo estudo, feito no Reino Unido, os cientistas utilizaram tecnologia de sequenciamento genético para criar um mapa das ligações dos receptores de vitamina D pelo genoma. Esse receptor é uma proteína ativada pela própria vitamina, que, por sua vez, liga-se ao DNA e influencia quais proteínas são feitas a partir do código genético. Os pesquisadores identificaram 2.776 pontos de ligação para o receptor por toda a extensão do genoma humano e verificaram que esses locais estão concentrados anormalmente próximos a genes associados a suscetibilidade a problemas no sistema imunológico. O trabalho também mostrou que a vitamina D tem um efeito importante na atividade de 229 genes, entre os quais o IRF8, que já foi associado com esclerose múltipla, e o PTPN2, ligado a diabetes do tipo 1 e com a doença de Crohn, que atinge o intestino. “O estudo mostra dramaticamente a ampla influência que a vitamina D tem sobre nossa saúde”, disse Andreas Heger, da Universidade de Oxford, um dos autores da pesquisa.

2. Unesp cria curativo natural para osso
Um biomaterial desenvolvido por cientistas da Unesp, no interior de São Paulo, promete acabar, no futuro, com a necessidade de placas metálicas para as vítimas de lesões ósseas. Eles criaram uma estrutura baseada em celulose. A ela são agregados colágeno (proteína que ajuda a sustentar os ossos) e moléculas especializadas em promover o crescimento ósseo. O "curativo", portanto, estimula o osso a se recuperar rápido. A eficiência da estrutura foi testada em ratos. Com uma broca, os cientistas abriam um furo no fêmur dos animais. Preenchiam, então, a área danificada com o biomaterial, que é bem maleável. "Você o coloca direto no osso, ajeita, costura, fecha e deixa lá", diz Reinaldo Marchetto, bioquímico da Unesp de Araraquara. Entre uma e duas semanas depois, os animais eram sacrificados, e os cientistas avaliavam se os seus ossos estavam recuperados. Eles não só estavam inteirões como, ao que tudo indica, o biomaterial tinha sido absorvido pelo corpo - mas os cientistas ainda querem mais estudos para confirmar esse desaparecimento. "Por enquanto, prefiro dizer apenas que tudo indica que ele seja reabsorvível", diz Sybele Saska, cirurgiã-dentista que é aluna de doutorado de Marchetto e responsável pela pesquisa.

3. Cientistas criam células hepáticas a partir da pele
Cientistas criaram pela primeira vez células hepáticas humanas a partir de células cutâneas reprogramadas, abrindo caminho para o possível desenvolvimento de novos tratamentos para doenças do fígado, que matam milhares de pessoas por ano. Cientistas da Universidade de Cambridge divulgaram os resultados na revista Journal of Clinical Investigation, e relataram também que conseguiram evitar as polêmicas éticas e políticas em torno das pesquisas com células-tronco embrionárias. "Esta tecnologia contorna a necessidade de usar embriões humanos", disse Tamir Rashid, do laboratório de medicina regenerativa de Cambridge, coordenador do estudo. "As células que criamos eram tão boas quanto se estivéssemos usando células-tronco embrionárias." As células-tronco são uma espécie de "manual de instruções" do organismo, capazes de dar origem a qualquer tipo de tecido, o que pode no futuro levar à cura de diversas lesões e doenças degenerativas. As células-tronco retiradas de embriões são consideradas mais maleáveis e poderosas, mas muitos se opõem às pesquisas com esse material por causa da necessidade de destruir os embriões. As doenças hepáticas são a quinta principal causa de mortes nas nações desenvolvidas. Só nos EUA, são cerca de 25 mil óbitos anuais, e no Reino Unido pesquisadores afirmam que a incidência entre jovens e pessoas de meia idade aumenta 8 a 10 por cento ao ano.

4. Células de gordura regeneram músculo
Um grupo de pesquisadores brasileiros conseguiu obter células musculares a partir de células-tronco adultas retiradas do tecido adiposo (gordura), num avanço que pode levar à criação de tratamentos contra distúrbios como a distrofia muscular, doença genética que causa fraqueza progressiva e degeneração dos músculos. Em conferência na quarta-feira (25) no Congresso Brasileiro de Neurologia, no Rio, Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e do Instituto Nacional de Células-Tronco em Doenças Genéticas da USP, apresentou a descoberta, que será publicada em breve na revista "Stem Cell Reviews and Reports". Na pesquisa, Mayana colheu células-tronco adultas do tecido adiposo e de cordões umbilicais. Após serem cultivadas em laboratório, ambas as linhagens aparentavam ser iguais. Mas, após injetadas em camundongos afetados pela doença, os resultados foram bem diferentes, conta. Enquanto as células-tronco do tecido adiposo aderiram às áreas afetadas e se diferenciaram em células musculares humanas, melhorando as condições das cobaias, as vindas do cordão umbilical não conseguiram realizar a diferenciação, permanecendo inertes. “Mostramos que as células-tronco adultas têm vocações diferentes para formar tecidos dependendo de onde elas foram colhidas. No caso da distrofia, as vindas do tecido adiposo se mostraram melhores”, explica. Por outro lado, ambas linhagens não foram rejeitadas mesmo sem o uso de imunossupressão, o que as torna uma alternativa viável para futuros tratamentos. Nesse sentido, o estudo trouxe mais revelações. As células humanas continuaram a ser encontradas nos ratos até seis meses depois das injeções, mas desapareceram após um ano. Além disso, a aplicação direta nas áreas mais afetadas não foi eficaz. “Isso quer dizer que eventuais tratamentos deverão demandar múltiplas injeções e ser sistêmicos, isto é, por via sanguínea, para chegar em todos os músculos”, diz Mayana. A pesquisadora lembra, no entanto, que os estudos ainda estão em estágio inicial e não há prazo para que um tratamento ou cura da doença chegue aos consultórios e hospitais.

5. Fator genético para ELA é identificado
Um novo fator genético de risco para o desenvolvimento da esclerose lateral amiotrófica acaba de ser identificado por um estudo internacional liderado por cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Os resultados da pesquisa estão na edição desta quinta-feira (26) da revista Nature. A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença degenerativa progressiva e fatal, de causas ainda pouco conhecidas. Trata-se de uma síndrome complexa caracterizada pela degeneração dos neurônios motores. Os autores do estudo utilizaram levedura e mosca-das-frutas como modelos, relacionando os resultados com os obtidos no sequenciamento do DNA humano, e encontraram evidência de que mutações no gene ataxina-2 representam um fator que contribui para a manifestação da doença. Mais especificamente, a pesquisa mostrou que expansões do aminoácido glutamina no gene ataxina-2 estão associadas com um aumento no risco para a ELA. O gene contém um trato poliglutamínico, uma porção da proteína na qual o aminoácido é repetido muitas vezes. Ao analisarem o DNA de 915 pessoas com ELA, os pesquisadores observaram que, em alguns deles, uma mutação no ataxina-2 fez com que a poliglutamina se esticasse. Expansões de tamanho intermediário (com entre 27 e 33 glutaminas) foram associadas de forma significativa com a esclerose lateral amiotrófica, respondendo por 4,7% dos casos da doença. Parece pouco, mas, com isso, essa mutação específica se torna o marcador de risco genético mais comum para a doença de que se tem notícia. Não há, atualmente, cura para a doença. A identificação de interações patológicas entre ataxina-2 e TDP-43, outra proteína associada à ELA, juntamente com a forte ligação genética das expansões do ataxina-2 com a síndrome, poderão ajudar no desenvolvimento de biomarcadores e, eventualmente, de novas terapias, apontam os autores. Análises feitas em modelos de levedura e mosca-das-frutas, bem como em células humanas, confirmaram que o ataxina-2 é um poderoso modificador da TDP-43. O estudo mostrou que as duas proteínas interagem em modelos animais e celulares, promovendo a patogênese. Os resultados indicaram uma ligação entre os genes e a doença. Quando os pesquisadores direcionaram a expressão da TDP-43 para o olho das moscas, observaram o início de um processo degenerativo e progressivo ligado à idade. Quando a expressão foi direcionada para os neurônios motores, os insetos experimentaram uma perda progressiva de mobilidade. Quanto mais elevados os níveis de ataxina-2, mais alta era a toxicidade da TDP-43, resultando em uma denegeração mais severa. "Como a redução dos níveis de ataxina-2, tanto em levedura como em moscas, foi capaz de prevenir alguns dos efeitos tóxicos da TDP-43, achamos que isso poderá ser investigado como um novo alvo terapêutico para a ELA", disse Aaron Gitler, da Universidade da Pensilvânia, um dos coordenadores da pesquisa.

6. Cientistas comprovam funcionamento de córneas biossintéticas
Um grupo de cientistas fabricou córneas biossintéticas que ajudam a recuperar a visão, como provam os casos de dez pacientes que testaram a criação, segundo um estudo publicado na revista "Science Translational". O estudo realizado por pesquisadores do Canadá e Suécia mostra que as córneas biossintéticas podem ajudar a regenerar e reparar danos do tecido ocular e melhorar a visão. Segundo os autores do estudo, as córneas criadas em laboratório podem estimular os nervos rompidos e o tecido danificado a se regenerar, restaurando a visão no olho humano igual como fazem as córneas de doadores. "Este estudo clínico é importante porque pela primeira vez mostra que uma córnea fabricada artificialmente pode se integrar ao olho humano e estimular a regeneração dos tecidos", disse a médica May Griffith, do Instituto de Pesquisa do Hospital de Ottawa (Canadá) e principal autora da pesquisa. Segundo Griffith, "com mais pesquisa, isto poderia permitir a restauração da visão de milhões de pessoas que esperam um doador para um transplante de córnea". Os autores apontam que a escassez mundial de doadores de córnea faz com que milhões de pessoas fiquem cegas a cada ano. Os cientistas destacam que os implantes biossintéticos evitam algumas desvantagens de usar tecido humano, como a possibilidade da transmissão de uma doença do doador. Griffith colaborou com o médico Per Fagerholm, cirurgião da universidade sueca Linköping, onde as operações foram feitas. Fagerholm e seus colegas retiraram o tecido afetado das córneas de dez pacientes e as substituíram com implantes biossintéticos. Os médicos seguiram a evolução dos pacientes durante dois anos após a cirurgia e observaram que as células e os nervos de nove dos 10 pacientes voltaram a crescer e envolver o olho completamente. A visão em geral melhorou em seis dos dez pacientes operados. Com o uso de lentes de contato, todos tiveram uma visão equivalente ao transplante convencional de córnea com tecido humano. Além disso, os pacientes não experimentaram nenhuma rejeição física. Segundo Fagerholm, novos estudos buscam estender o uso da córnea biossintética no tratamento de outras doenças nos olhos.

7. Consumo precoce de drogas torna pessoa mais vulnerável à dependência
Quanto mais precoce o consumo de uma droga de abuso, mais o indivíduo se torna vulnerável à dependência. Foi o que mostrou um estudo com camundongos conduzido no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP). Ao administrar doses de álcool em animais adolescentes e adultos, os pesquisadores constataram que os mais jovens apresentaram uma compulsão maior ao consumo após um período de abstinência. Segundo os pesquisadores, o resultado também pode valer para outros tipos de drogas de abuso, que englobam desde anfetaminas até entorpecentes pesados como cocaína e heroína, passando pelo cigarro e pelo álcool. “Drogas de abuso são aquelas que induzem à fissura pelo seu consumo seja pelo prazer proporcionado, seja pelos efeitos desagradáveis que a interrupção de seu uso provoca”, disse a coordenadora da pesquisa, Rosana Camarini, professora do ICB-USP. O trabalho, apoiado pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, terá seus resultados apresentados na 25ª Reunião da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), que começou na quarta-feira (25/8) e vai até sábado em Águas de Lindoia (SP).

8. Enxaqueca aumenta os riscos de morte por qualquer causa
Pessoas que sofrem de enxaqueca com aura - dores de cabeça acompanhadas de distúrbios visuais temporários - parecem ter maiores riscos de morte prematura, segundo estudo da Universidade da Islândia. Avaliando o impacto das dores de cabeça entre mais de 18 mil pessoas nascidas entre os anos de 1907 e 1935, os pesquisadores descobriram que homens e mulheres que sofrem de enxaqueca com aura teriam mais chances de morrer de todas as causas, mas principalmente por problemas cardiovasculares. Publicados no British Medical Journal, os resultados indicaram que homens e mulheres de meia idade que sofrem com enxaqueca têm 21% maiores riscos de morte, com a mortalidade por problemas cardiovasculares sendo 27% maior entre essas pessoas, comparadas àquelas que não apresentam as dores de cabeça. Em relação a problemas cardiovasculares, o risco de morte do derrame chegaria a ser 40% maior em pessoas com enxaqueca com aura. E aqueles que tinham enxaqueca sem aura não enfrentariam os mesmos riscos. Segundo os autores, o estudo indicou, ainda, que as mulheres que tinham o problema seriam ainda mais propensas a morrer de causas sem relação com doença cardiovascular e câncer. “Entretanto, resta saber quais doenças contribuem para o aumento do risco visto para as mulheres com enxaqueca”, concluíram os autores, destacando a necessidade de mais pesquisas.

9. Menopausa masculina é comum, mas pouco diagnosticada
Muita gente não sabe, mas muitos homens também passam pela menopausa, apresentando sintomas como fadiga, alterações de humor, pouco desejo sexual, perda de cabelo, falta de concentração e ganho de peso. E isso é mais comum do que as pessoas pensam, afetando, só nos Estados Unidos, mais de 5 milhões de homens, segundo especialistas do Northwestern Memorial Hospital. Porém, a grande maioria dos casos dessa condição - tecnicamente conhecida como hipogonadismo ou andropausa, e que ocorre quando os testículos não produzem níveis adequados de testosterona - não é diagnosticada. “Esse é um distúrbio altamente prevalente”, destaca o pesquisador Robert Brannigan. “Infelizmente, estimamos que 95% dos casos não são diagnosticados e, por consequência, não são tratados. Quando ignorados, os sintomas podem atrapalhar seriamente a qualidade de vida de alguém”, acrescenta. O especialista explica, ainda, que as variações hormonais são aspectos normais do envelhecimento, mas, entre os homens, isso ocorre mais lentamente - 1% ao ano após os 30 anos de idade -, comparado às mulheres. O tratamento envolve reposição hormonal via implante subcutâneo absorvível, géis tópicos, adesivos ou injeções. Essa reposição, segundo os especialistas, pode restaurar a função sexual e a força muscular, além de aumentar os níveis de energia. Entretanto, antes disso, é importante que os homens prestem atenção aos sintomas e consultem um médico em caso de suspeita.

10. Bebês precisam comer peixe
De acordo com a Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, os bebês também precisam de ácidos graxos como ômega-3, encontrados nos peixes, para o desenvolvimento do cérebro, nervos e olho, e a maioria não ingere quantidade suficiente dessa substância mesmo quando passa a se alimentar de alimentos sólidos. "Além disso, as preferências alimentares das crianças são em grande parte desenvolvidas até os cinco anos de idade, então o ideal é que os pais ajudam seus filhos a desenvolver o gosto por peixes e frutos do mar desde a infância", diz a nutricionista coordenadora do estudo, Susan Brewer. Os peixes que são ricos em ácidos graxos ômega-3, como salmão, têm enormes benefícios para a saúde e ajudam a prevenir a doença arterial coronariana, mas a maioria dos adultos não come peixe duas vezes por semana, conforme os especialistas recomendam. Brewer sabe que as suas recomendações poderiam encontrar alguma resistência. "Quando começamos a trabalhar em uma comida especial para bebês à base de salmão, sabíamos que encontraríamos resistência dos pais. Mas a American Heart Association e a American Academy of Pediatrics estão por trás da ideia, e alimentos para bebês à base de peixe, comum nos mercados da Ásia, estão sendo comercializados com sucesso no Reino Unido e Itália". A papinha desenvolvida pela pesquisadora ainda contém farinha de osso e ovas de salmão. O primeiro ingrediente (feito pela trituração dos ossos do salmão em um pó) fornece cálcio. O segundo fornece proteína de alta qualidade e contém quantidades significativas de vitamina D e ômega-3. Além disso, uma pesquisa feita com 107 pais de crianças pré-escolares descobriu que 80% dos pais, mesmo aqueles que não comem salmão, disseram querer oferecer a papinha aos seus filhos depois de testar o gosto do produto. "A papinha ajudou os pais a incluírem peixe no cardápio dos filhos. Já que eles não vão comprar um produto a menos que além de agrada aos olhos também agrade o paladar", disse Susan.

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