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Acontece
..Carta do Presidente
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Falta-nos ainda um pouco

Ano que passou tive a oportunidade de visitar sete países africanos na companhia do Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim e mais 3 empresários brasileiros. Nossa viagem tinha um caráter investigativo. A mim, coube ver de que maneira a indústria farmacêutica brasileira poderia participar de um programa de assistência farmacêutica, especialmente com anti-retrovirais.

Nosso giro começou pelo Gabão, em seguida fomos ao Quênia, depois à Etiópia, à Tanzânia, Moçambique África do Sul e finalmente Senegal.

A África é um continente de contrastes. Se por um lado há petróleo em abundância, biodiversidade riquíssima, além de ouro e diamante; por outro lado dois grandes flagelos têm assolado aquele continente: a fome que tem dizimado milhares de vidas, especialmente crianças e a AIDS, que se tornou epidêmica.

É de doer a alma, contemplar a situação de Moçambique, quando pudemos observar uma geração inteira já nascendo com HIV positivo.

Outro quadro que não me sai da mente foi contemplar em Addis Abeba - capital da Etiópia - , uma legião de pessoas com deficiência visual. Nunca havia contemplando algo assim. Dezenas de pessoas sendo guiadas pela cidade.

Ainda em Addis Abeba, contemplei a miséria humana nas crianças, em mulheres, ainda que jovens, com fisionomia de anciãs, carregando nas costas feixes de madeira que seriam usados como combustível para preparar a comida.

Diante de tanta dor e miséria, vinha a minha mente nosso querido e amado Brasil. Somos um país abençoado. Riquezas naturais, parque industrial fabuloso, agricultura que pode tornar-nos o celeiro do universo.

Diante de tanta miséria, fome, analfabetismo e enfermidade, lembrei que, em que pese ainda tantas desigualdades que ostentamos, estamos caminhando a passos largos para um país mais cidadão, um país mais justo, um país onde a responsabilidade social tem sido aguçada tremendamente. Falta muito ainda, mas já estamos caminhando.

Creio firmemente que, se cada brasileiro introjetar a idéia de que esse país é nosso, dos nossos filhos e netos, de que os governantes que aí estão, são colocados por nós mesmos, e que podemos sempre que eles não forem aprovados, tira-los, da mesma forma que o colocamos, estaremos construindo um país mais bonito, digno de ser chamado uma nação livre.

Nunca é demais dar uma parada para reflexão.

Josimar Henrique é Presidente da Hebron e Vice-Presidente da Febrafarma - Federação Brasileira de Indústrias farmacêuticas

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